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Aumenta a polêmica sobre o "Ghost in the Shell" com Scarlett Johansson

Alexandre Matias

22/09/2016 09h10

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São algumas cenas rápidas, com pouco mais de dez segundos, mas esquentam a polêmica a respeito da adaptação para o cinema do clássico japonês Ghost in the Shell para o cinema. A cena mais crítica não é propriamente uma revelação, mas uma materialização de uma imagem clássica do original, o momento em que a major Motoko Kusanagi despluga cabos de sua nuca, revelando sua natureza artificial.

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E agora é realidade: a protagonista de uma das principais franquias de ficção científica do Japão nasce em carne e osso como uma personagem de biotipo caucasiano. Isso acirra as críticas feitas à adaptação, que seria descaracterizada se não se passasse no Japão ou se sua personagem principal não fosse japonesa. Outra polêmica que ocorreu durante a produção do filme é que testes de computação gráfica teriam sido feitos com atores ocidentais para deixá-los com aparência oriental. Ninguém sabia dizer se isso significaria uma orientalização da personagem vivida por Scarlett Johansson que, a bem da verdade, ainda está sendo apresentada apenas como "Major", sem nome ou sobrenome.

Então ainda não sabemos nem se o filme se passa no Japão.

E a julgar pelo elenco – que inclui nomes como Pilou Asbæk, Michael Pitt, Chin Han, Lasarus Ratuere, Rila Fukushima, Tuwanda Manyimo, Yutaka Izumihara, Juliette Binoche e o grande Takeshi Kitano – é bem provável que o filme mantenha uma natureza internacional, espalhando a trama que antes acontecia no oriente por todo o planeta. Não é a melhor solução, mas é mais tragável do que cogitavam fazer com a adaptação para outro clássico da ficção científica japonesa, Akira, que deixaria de se passar em Tóquio (ou Neo-Tóquio) para ser adaptado para Nova York (ou New New York). E isso com Leonardo di Caprio como o personagem principal. Ainda bem que isso (ainda) não aconteceu.

Pelos outros teasers que foram mostrados dá para ter uma ideia do quão literal – ao menos em termos estilísticos – o diretor Rupert Sanders quer que seja o clima de seu filme.

Ghost in the Shell é uma das principais obras do subgênero de ficção científica chamado cyberpunk, aquele que surgiu nos anos 80 nos Estados Unidos pregando um futuro pré-apocalíptico dominado por máquinas e telas, que tirava todo o otimismo do futuro o substituindo por questões ambientais e crises tecnológicas, além da onipresença da internet. A série originalmente era um mangá e foi adaptada como um anime em 1995.

Em defesa do filme, não custa lembrar o quanto Scarlett Johansson pode convencer num filme desta natureza – principalmente a partir de filmes e personagens tão diferentes quanto a fêmea do genial e estranhissimo Sob a Pele (2013), a espiã Natasha Romanoff nos filmes da Marvel, a assassina modificada geneticamente do filme Lucy (2014) ou a voz da inteligência artificial em Ela (também de 2013). Ghost in the Shell tem estreia programada para o início do ano que vem e, se manter o título do anime em português, também deverá se chamar O Fantasma do Futuro.

** Este texto não reflete, necessariamente, a opinião do UOL

Sobre o Autor

Alexandre Matias cobre cultura, comportamento e tecnologia há mais de duas décadas e sua produção está centralizada no site Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br), desde 1995 (@trabalhosujo nas rede sociais). É curador de música do Centro Cultural São Paulo e do Centro da Terra, do ciclo de debates Spotify Talks, colunista da revista Caros Amigos, e produtor da festa Noites Trabalho Sujo.

Sobre o Blog

A cultura do século 21 é muito mais ampla que a cultura pop, a vida digital ou o mercado de massas. Inclui comportamento, hypes, ciência, nostalgia e tecnologia traduzidos diariamente em livros, discos, sites, revistas, blogs, HQs, séries, filmes e programas de TV. Um lugar para discussões aprofundadas, paralelos entre diferentes áreas e velhos assuntos à tona, tudo ao mesmo tempo.

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