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Bryan Cranston leva o universo do criador de "Blade Runner" para a TV

Alexandre Matias

11/05/2016 21h36

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"É um sonho elétrico tornando-se realidade", brincou o ator e produtor Bryan Cranston no evento que anunciou uma série de 10 episódios produzida pelo inglês Channel 4 e a Sony Pictures Television inspirada no universo de Philip K. Dick. A piada da declaração do ator, conhecido como o protagonista da série Breaking Bad, é uma referência ao conto Andróides Sonham com Ovelhas Elétricas?, que deu origem à história de Blade Runner, de Ridley Scott.

Espelhando a fórmula do excelente Black Mirror, o seriado Electric Dreams: The World of Philip K. Dick não deve contar uma única história e sim funcionar como contos isolados que mostram diferentes histórias, cada uma delas escrita por um time diferente de roteiristas norte-americanos e ingleses. Além de Cranston, que deve atuar em pelo menos um dos episódios, outro produtor da série é Ronald D. Moore, mais conhecido como o responsável pelo bem sucedido reboot da série Battlestar Galactica. Tanto Cranston quanto Moore são fãs confessos do autor e a série também tem o aval da família do escritor que morreu em 1982, representada pela filha de K. Dick, Isa Dick Hackett.

Philip K. Dick é um dos grandes escritores do século passado, que usava a ficção científica como uma forma de questionar os valores básicos da existência humana. Clones, alienígenas, realidades paralelas, robôs e viagens espaciais eram só formas de discutir as motivações primitivas do ser humano e voltar às questões básicas da filosofia – Quem somos? Qual o sentido de tudo isso? O que é a realidade? Para onde vamos? – em contextos futuristas. Escritor prolífico, produziu de forma intensa entre as décadas de 60 e 70, quando escreveu 44 romances, entre eles alguns dos grandes clássicos do gênero (como O Homem do Castelo Alto, Os Três Estigmas de Palmer Eldritch, Ubik, Valis e Fluam, Minhas Lágrimas, Disse o Policial), além de mais de cem contos que pagavam suas contas e serviram de base para uma nova safra de filmes de ficção científica inaugurada com Blade Runner, em 1982.

Filmes como Minority Report, O Vingador do Futuro, O Pagamento, Agentes do Destino e O Homem Duplo mostraram que a realidade que ele imaginava no meio do século 20 só começou a fazer sentido para um público maior a partir dos desafios e dilemas que nos foram apresentados à medida em que a tecnologia do século 21 começou a se tornar mais difundida. E Electric Dreams é só mais um capítulo na recente onda de adaptações do autor para a TV – no ano passado a produtora de Steven Spielberg produziu uma série de uma temporada inspirada em Minority Report e a Amazon está produzindo uma série inspirada no livro O Homem do Castelo Alto, produzida por Ridley Scott, que terá uma segunda temporada lançada ainda este ano.

A nova série ainda não tem previsão de lançamento, mas deve ser exibida inicialmente no Reino Unido.

Sobre o Autor

Alexandre Matias cobre cultura, comportamento e tecnologia há mais de duas décadas e sua produção está centralizada no site Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br), desde 1995 (@trabalhosujo nas rede sociais). É curador de música do Centro Cultural São Paulo e do Centro da Terra, do ciclo de debates Spotify Talks, colunista da revista Caros Amigos, e produtor da festa Noites Trabalho Sujo.

Sobre o Blog

A cultura do século 21 é muito mais ampla que a cultura pop, a vida digital ou o mercado de massas. Inclui comportamento, hypes, ciência, nostalgia e tecnologia traduzidos diariamente em livros, discos, sites, revistas, blogs, HQs, séries, filmes e programas de TV. Um lugar para discussões aprofundadas, paralelos entre diferentes áreas e velhos assuntos à tona, tudo ao mesmo tempo.

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