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Todd Haynes vai dirigir documentário sobre o Velvet Underground usando apenas imagens da época

Alexandre Matias

10/08/2017 02h37

No ano em que seu mítico primeiro disco completa meio século de vida, o grupo norte-americano Velvet Underground vai ter sua curta saga levada às telas de cinema. O diretor Todd Haynes irá contar a história do grupo criado por Lou Reed e John Cale e hypado por Andy Warhol usando apenas imagens de arquivo, como revelou em entrevista à revista Variety.

Diretor de filmes independentes de sucesso como Longe do Paraíso (2002) e Carol (2015), Haynes disse que seu novo filme irá "ser baseado em alguns filmes de Wahrol mas também na rica cultura do filme experimental, um vernáculo que perdemos e não mais o possuímos e que cada vez mais o vemos sendo removido de nós", disse o diretor em entrevista dada durante sua participação no festival de cinema de Locarno, na Itália.

Um dos grupos mais influentes da história da música pop, o Velvet Underground foi fundado em Nova York pelo poeta e compositor de aluguel Lou Reed e pelo músico erudito John Cale, que fundaram uma banda de rock que tinha o compromisso de nunca fazer concessões. O grupo passou a compor sobre sexo, drogas e violência tocando músicas com poucos acordes e com um som muito alto em moquifos de Nova York até ser descoberto pelo artista plástico Andy Warhol, que apadrinhou a banda. Nos braços de Warhol, o grupo conseguiu lançar seu primeiro disco, The Velvet Underground and Nico, considerado o marco-zero do rock underground, influenciando artistas tão diferentes quanto David Bowie, Iggy Pop, Brian Eno, Television, Patti Smith, Sex Pistols, Joy Division, Gang of Four, Sonic Youth, Galaxie 500, Nirvana e Strokes.

O grupo gravou apenas quatro discos e teve uma carreira que durou pouco mais de cinco anos, antes da saída de Lou Reed em 1970, que sepultou a história da banda. Não chegou a fazer sucesso comercial e justamente por isso são raras as imagens de arquivo do grupo, o que torna o desafio de Todd Haynes ainda mais complexo, uma vez que ele usará apenas imagens da época. Haynes falou sobre a "emoção da pesquisa e da montagem visual" e de "mergulhar nas fontes e no material e em imagens de arquivo e no cinema de fato e no trabalho experimental", uma vez que lidará com as cenas filmadas pelo próprio Andy Warhol, que fazia filmes com integrantes da banda, além de filmar apresentações do grupo para projetar sobre o próprio grupo em outras apresentações.

O diretor, que já fez filmes sobre ícones do rock, como Velvet Goldmine, de 1998, sobre o glam rock e Não Estou Lá, de 2007, sobre as múltiplas personas de Bob Dylan, considera o Velvet Underground a banda mais influente de todas. "Como disse Brian Eno, todo mundo que comprou seu primeiro disco montou uma banda", disse o diretor na entrevista. "Sua influência não tinha nada a ver com vendas ou visibilidade ou com as formas que quantificamos a ideia de sucesso."

Ele também está bem interessado com o aspecto visual do filme. "Forma para mim é tudo. É a primeira pergunta sobre como abordar uma história e por que você está a contando e qual tipo de tradição que você está evocando", continuou, explicando que o filme sobre o Velvet Underground "precisa ser uma experiência intensamente visual".

O filme não tem data de lançamento e é um dos projetos de Haynes que contam histórias do passado. O outro, que está sendo desenvolvido junto à Amazon, é sobre "uma figura intensamente importante de imensa influência histórica e cultural", revelou, sem entrar em detalhes sobre esta nova produção, que deverá ser um seriado.

Sobre o Autor

Alexandre Matias cobre cultura, comportamento e tecnologia há mais de duas décadas e sua produção está centralizada no site Trabalho Sujo (www.trabalhosujo.com.br), desde 1995 (@trabalhosujo nas rede sociais). É curador de música do Centro Cultural São Paulo e do Centro da Terra, do ciclo de debates Spotify Talks, colunista da revista Caros Amigos, e produtor da festa Noites Trabalho Sujo.

Sobre o Blog

A cultura do século 21 é muito mais ampla que a cultura pop, a vida digital ou o mercado de massas. Inclui comportamento, hypes, ciência, nostalgia e tecnologia traduzidos diariamente em livros, discos, sites, revistas, blogs, HQs, séries, filmes e programas de TV. Um lugar para discussões aprofundadas, paralelos entre diferentes áreas e velhos assuntos à tona, tudo ao mesmo tempo.